sexta-feira, 26 de junho de 2020

Amor romântico sim

Eu acredito no amor romântico, verdade é essa. Por anos eu não sabia lidar, não sabia me reconhecer, me sacrifiquei muito por isso, trabalho custoso ir contra a nossa essência.
Esse amor romântico ele tem tudo a ver com a vida, a permissão de receber o amor. Eu me aceito definitivamente romântica. 
Com o passar do tempo pode até ser que o sexo diminua? Pode! Mas não significa que o tesao diminuiu. Pode ser que ao invés de um beijo gostoso molhado antes de dormir, seja um selinho. Pode ser que no meio da noite eu não te acorde puxando sexo, mas com um abraço apertado e um beijo gostoso na testa para proteger o seu sono, para você me sentir ali pertinho de você. 
Pode ser que você tenha medo dessas novas linhas de expressão que fazem as novas expressões e que haja alterações do peso. 
Mas, é isso amor. Olha para mim, eu também irei envelhecer, e afinal: não é isso que buscamos? Alguém que transcenda o que apenas os olhos veem? Alguém que a cada manhã nos faça seguras para seguir o novo dia e encarar a vida lá fora, com a certeza que o alento vai estar nos esperando em casa, no nosso lar?
Estamos no auge do sentimento, nossos toques nos causam arrepios, tanto que por vezes, sequer conseguiremos ver um filme até o final que já começaremos a nos pegar de tanto tesao, que nossos corpos conversem a cada toque e no ato do sexo nos olhares cruzem dizendo tudo que realmente somos e o nosso sexo personifica.
Não há mau nenhum nisso. 
Mas também pode ser que pegaremos no sono e dormiremos no meio do filme. Jamais significará que acabou o amor ou que acabou o tesao, mas apenas que sentimos prazer em dormirmos agarradas, que amadurecemos e o amor transformou.
Sabe o que eu quero? Quero esse amor que transforme: me transformar junto de quem eu amo, lado a lado.
Ter o amor como testemunha de uma vida, onde fiz por merecer tudo que conquistei. Quero olhar meu amor e sentir que é a minha parte valiosa, que meu maior investimento foi em nós e foi o melhor que já fiz.
O futuro da um medo danado, eu tenho, mas a cada dia juntas, me faz perceber que o futuro é apenas um retrato do presente. Fazer do presente presente e um dia olhar para trás e vê o magnífico que fizemos juntas. 
Amor só depende de amor, amor só depende das pessoas envolvidas. O amor só vai depender do nós. Viver esse amor, sobre todas as coisas, respeitando e de firma saudável, mesmodiante dos percalços da vida.

quinta-feira, 25 de junho de 2020

É só acreditar

A gente precisa é aprender o segredo de saber se reinventar. De se tornar uma manhã novíssima depois de cada longa noite escura. De duvidar, até acreditar, com o coração isento das crenças alheias. A gente precisa é saber criar espaço, não importa o tamanho dos apertos. A gente precisa de um olhar fresco, que não envelhece, apesar de tudo o que já viu. De um amor que não enruga, apesar de toda as memórias na pele do coração. A gente precisa é deixar de ser sobrevivente para, finalmente, viver. A gente precisa acreditar! 

sexta-feira, 19 de junho de 2020

Ufa ou tensão

Finalmente dando conta de processar... apesar da enxurrada de palavras sendo metralhadas, so enquanto penso na próxima palavra. 
A quarentena começou com um desejo desesperado de que tudo passasse logo, não que o desejo tenha sumido, mas a carga dela deu uma pesada.
Primeiro momento o caos foi completamente instaurado sob meu lar, Deus do céu.
De repente meu herói, minha mãe, estava ali "desfalecendo", ela que sempre foi minha representação de força, energia, garra, nunca a vi titubear, ela estava completamente caída em prantos, fraqueza, sensibilidade, nos meus braços (eu não sei usar esses braços). De repente era ela me pedindo socorro, clamando por cuidado. Eu não entendia, para mim ela era mais que humana, havia eu, me esquecido que por trás de toda aquela armadura, existia uma mulher. Ela se mostrou, desabrochou em uma força que de primeiro momento, eu só conseguia agir por impulso para cuida la. Pousada fechando, funcionários sem saber o que fazer, ela sem saber por onde começar e pedindo ajuda. Lançou em mim uma responsabilidade que eu não sabia se seria capaz, se daria conta. Em meio a todo caos da Pousada, tinha ali, simultaneamente meu bar. 
Completando exato 1 mês de funcionamento, quando eu achava que finalmente as coisas estavam acontecendo: FECHAMENTO. O que fazer? Por onde começar? Eu vivia nesse dilema. Não dava tempo para pensar, as questões exigiam respostas imediatas de um movimento nunca visto antes. Posterguei fechar o bar, na esperança sempre: no mês que vem vai abrir.
Não abriu! Não voltou!
Partimos mãe e eu rumo a fazenda, meu avô não estava muito bem de saúde, minha avó não muito bem para realizar as tarefas domesticas. Roça. Família. Tudo junto. Primeiros dias, paz, amor, alegria... só não sabíamos que os próximos dias não seriam tão plenos assim. Antes que isso acontecesse, fazenda, pai (eu seguindo sem resolver nenhuma das questões impostas), tudo lindo até então, cavalgada, ordenha... mas com ele não dá para descansar, não dá para relaxar: briga, revelações e sempre tão agressivas e pesadas. Cada palavra que ele balbucia dá um nó na garganta: por que tanta raiva? Tanto ódio de 3 crianças? por que tanto peso para elas? Éramos apenas crianças. R revela durezas... bebo meu gole de vinho, não consigo deixar de pensar: POR QUE? PARA QUE?
Independente das questões estava TUDO sendo despejado naquela cozinha. A minha cabeça latejava, eu estava estupefata, incrédula de tudo que eu ouvia. Parecia surreal ao mesmo tempo que não surpreendente.
R se retira, ficamos só eu e ele, ali eu falei, desabafei, falei tudo que passei 30 anos controlando. Coloquei para fora... ele falou algumas palavras e se retirou da mesa. Peguei uma cerveja e fui para a varanda, por sorte tinha sinal de celular. Comecei a conversar com a J a respeito, a abrir essa vergonha, a despir uma por uma das peças e faces que me compõem. De tanta vergonha, eu tinha nós na garganta (na verdade até vieram a mim agora, só por escrever). Conversamos por horas e acho que nunca deixei claro para ela o quanto aquilo significou e como estava sendo MUITO difícil falar daquilo. Mas sim, reconheço, ela me ajudou, me acalmou, onde eu achava que não teria calma. No dia seguinte, partimos de volta para casa dos meus avós. Até hoje não sei como e nem porque da terrível recepção que tivemos. Tem certas agressões gratuitas que nunca vou entender. De repente tudo que era paz, se transformou num inferno, e nada daquilo fazia sentido. Cada fala um coice. Finalmente foram confrontadas, mesmo que contra a nossa vontade. Minha mãe que até então estava nos colocando novamente naquele posto: ela vítima e as filhas vilã, as confrontou, no confronto foram duras palavras: "vocês matam a mãe de vocês a vida inteira. Vocês precisam parar com isso. Vão carregar ela no caixão com essa culpa", eu olhei sem entender. Questionei com a minha mãe, ela silenciou e fez cara de nada. Eu sem entender falei: O QUE TA ACONTECENDO AQUI? 
A minha mãe não pronuncia UMA palavra, enquanto isso as minhas tias seguem metralhando, R chorando sem parar e aquilo me causava apenas enjoou, ali já não era possível estar.Vem a fala: "H, você mais que ninguém mata a sua mãe e ainda adoece de drama para causar mais dor para ela".
No susto eu soltei: OI? Que que ces tao falando? (Para tudo, para tanto, o silêncio era inebriante, ninguém pronunciava uma palavra em minha defesa ou mesmo, não para me defender, mas para verdade).
"Você não formou no tempo certo, abre bar, você não foi criada para ter bar, não faz medicina, acorda tarde e dorme de madrugada para ficar falando com mulher e a sua mãe vê isso tudo, sofre, morre e você não faz nada. Não é R?"
R se exalta, ela cometeu o terrível equivoco de se abrir com aquela pessoa que se chama: tia.
Naquele momento eu parei de sentir QUALQUER coisa. Respirei fundo e terminei de ouvir tudo que foi dito. Eu estava realmente sozinha ali. Nada de novo para mim. O dia passou, eu introspectiva, não estava dando conta de falar, um nó na garganta me consumia por inteiro, eu sentia meu corpo recluso gritando para mim: me acolhe, e o tempo todo a minha mãe e R falando de como as minhas tias foram cruéis, e eu me perguntando: por que vocês não fizeram nada a respeito? Por que vocês apenas me deixaram ali?... Por que?...
Segui tentando sair daquele lugar, não me cabia mais... Finalmente veio a salvação: assinar os documentos das funcionárias da pousada em Lagoa Santa e dali, talvez seguir para BH. Tive que assinar um documento em BH, as coisas estavam se decidindo por mim (pausa dramática para respirar). Em BH só faltava J. Acho que nisso tudo na verdade.
Tivemos que voltar para roça, eu já não sei mesmo de onde vinha folego, eu tava travada e pior, ouvindo sempre da R e da minha mãe: "que que foi H? Que chatice" ou então um grude chato e desnecessário, soava falso, enjoativo, não sei explicar... Eu tava sem espaço. Não tinha um cantinho da minha vida que as coisas estivessem dando "certo", eu realmente não tava sabendo lidar. Me agarrei ao que cabia: vacas, queijos e fungos hahahhaha pior que é verdade. O pior, eu não dava conta de conversar, eu tava tão envergonhada de estar passando por aquilo. A terapia ajudou, mas não facilitou. Até que finalmente resolvi não estar ali da forma que eu estava, estava me consumindo em todos os aspectos, inclusive o afetivo. A medida que fui recuperando, abri para ouvir certas histórias familiares, e para ser bem sincera, que vibe, que peso. Deus do céu. De repente as histórias familiares que me eram trazidas dos meus pais, faziam algumas coisas fazerem sentido, como também chegava a dar incomodo e me atrevo em dizer que dor. É engraçado que algumas coisas a memória me traí. Nem tão traição, estresse me da perda de memória e acho que por isso tem certas coisas que mesmo durante o dia, sol rachando, por mais que eu me esforce, eu não consigo lembrar. Os dias foram seguindo, eu seguindo na roça, me agarrei a construção do site da pousada para ocupar a mente, organizar meus horários de modo que eu conseguisse estar sempre ali para J, porque de alguma forma tinha certa paz ali, mas acho que tudo era tão tumulto, que nem me dei conta, não consegui entender que ali também não estava tão bem, de alguma forma, ela estava sendo "vitima" das minhas circunstâncias. Desgastei! Desconstruí! 
Eu não estava conseguindo pensar! 
Eu me tornei o que eu menos queria: chata, possessiva, ciumenta, TÓXICA. Muitas outras coisas. 
Ao mesmo tempo que contava que de repente teria certa compreensão.  
Eu me perdi por algum tempo. 
Voltei para pousada, decidi fechar o bar, foi tudo de uma vez. 
Cheguei no bar, sozinha, para fazer toda mudança, que duraram 4 dias. 4 FUCKUNG DIAS. O que eu senti? Como eu me senti? Estava tudo acontecendo numa pancada só. Numa pancada só eu estava fazendo. Não foi ruim, foi uma mistura de alívio com "o que vai acontecer agora", mas preferi prevalecer no alívio e assim sigo. Finalmente, mudança termina, boteco 100% entregue, saí a notícia: Serra vai reabrir. Putz, parecia pegadinha. 
De um lado correria para me capacitar, para capacitar as nossas funcionárias e conseguir o alvará de funcionamento. Do outro lado, meu relacionamento desabou, eu cobrei, eu exigi, eu briguei, me apossei do que não era apossavel (sei la se essa palavra existe). A terapia foi me ajudando a colocar a cabeça no lugar, retomar a lucidez. 
A pousada retomou as atividades, e de volta o mix: paz com tensão. 24h de preparação com os funcionários, com a minha mãe, comigo. Quantos julgamentos, quantas inseguranças, quantas perguntas, quanta fiscalização... e eu para acalmar tudo isso. Era melhor capinar 100 lotes a ter que lidar e ter responsabilidade das emoções e sentimentos de outras pessoas.
Por último, não menos importante: humilhação por cada escolha que fiz, vindas de onde na verdade não era esperado mas nem me surpreende mais, na verdade, eu acho que pouca coisa vem me surpreendendo. Único ruim de tudo isso, é que me torno pouco a pouco mais resistente em acreditar nas pessoas. É horrível reconhecer egoísmo, descaso, são sentimentos tão ruins de perceber quando direcionados a mim. 
Porque eu não quero mais permitir me sentir assim, porque como eu não quero mais, eu vou fazer acontecer. 
“A gente recebe o amor que a gente acha que merece”, vale mais que para amor, vale para tudo. 
Isso tudo traz uma transformação que já vivi antes e nem de tudo eu gosto... ainda estou estranhando os sentimentos que isso tem me causado...

Meus olhos pesam por causa das noites mal dormidas, meu corpo esta moído e minha mente cansada. Todas as luzes, no entanto, estão acesas. Não quero dormir, não quero me apagar por algumas horas e depois acordar e ter de enfrentar novamente tudo que já enfrentei só por que é outro dia, não quero ter que repensar tudo de novo. Pink Floyd está tocando na rádio, minha alma tem vontade de gritar por libertação. A casa cheia nunca fez tanta falta, na confusão sobra-me pouco espaço para reflexões, na paz elas me dominam.

Por ora, eu dei conta de escrever até aqui... Ufa

Engraçado tudo isso! Não vou reclamar a vida e nem reclamar os acontecimentos, as consequencias e circunstancias, de tudo ainda se faz renovação. O que é estranho. Raiva? Na hora dos acontecimentos senti, varios sentimentos na verdade, não sei defini los.

Por fim, todo esse desabafo basicamente se resume a: esperando tudo isso passar, pensando que para o ano que vem está prevista a próxima crise. Eu que lute

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Tempo?

Sim! Podemos acabar em dois dias, ou durar ainda dois mil anos. Não sabemos qual das duas hipóteses, por isso, é difícil pra muita gente se interessar por alguma coisa, mais ainda agora nesses tempos de tamanha incerteza.
Contudo, você não vai me ver mentir.
Desista!
Mentiria sobre a cor do meu cabelo. Sobre minha altura. Até sobre meus planos para o futuro. Mas não mentiria sobre o que eu sinto.
Nem sob tortura!
Posso mentir sobre minha noite anterior. Sobre minha viagem inesquecível. Mas não mentiria sobre você, sobre nós.
Não na sua cara!
Não me faça mentir e dizer que não te quero. Que não estou na sua. Não me obrigue a jogar. Não me obrigue a dizer “não” quando eu quiser dizer “sim”. Não me faça tirar você da minha vida, porque eu ainda consigo nos ver seguindo.
Minta para mim, mas não minta para você.

Presente

“ Faça o bem para si e acredite: ninguém vai se chatear com isso. Negue-se a participar de coisas em que não acredita ou que simplesmente o aborrecem. Presenteie-se com boa música, bons livros e boas conversas. Não troque sua paz por encenação. Não faça nada que o desagrade só para agradar aos outros. Mas seja gentil e educado, isso reforça laços, está incluído no projeto ‘ser amigo de si mesmo’“.

Martha Medeiros

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Incerto

Caralho, todo prazer tem certo amargor, o drama do prazer; todas as coisas agradáveis acabam por amargar, uma vez que o doce deixa de existir; todas as flores murcham quando as colhemos e não somos capazes de regar de acordo com a sua necessidade, e todo o amor morre tanto mais depressa quanto é mais retribuído. Por isso o passado, sempre, parece-nos sempre melhor que o presente; esquecemos os espinhos das rosas colhidas; saltamos por cima dos insultos e injúrias e demoramo-nos sobre as vitórias. O presente parece muito mesquinho diante de um passado do qual só retemos na memória o bom, e diante de um futuro que ainda é sonho. O que alcançamos nunca nos contenta; ‘olhamos para diante e para trás em procura do que não está ali’; não somos bastante sábios para amar o presente do mesmo modo que o amaremos quando se tornar passado, mas somos aflitos demais para viver o futuro sem certeza alguma. Quando mergulhamos num prazer, o nosso olhar vai para longe - a felicidade ainda não está alcançada apesar de termos o deleite nos nossos braços. Que mau demônio nos afeiçoou assim? Por que é tão melhor a ilusão que a realidade? 

Dúvida

A gente vive num mundo físico palpável ou num mundo que a gente cria na nossa cabeça? 

domingo, 10 de maio de 2020

Te tão

No auge da minha transformação, de jovem a balzaquiana faço a constatação:
A solidão é minha sentença inafiançável, uma vez que em meio há tantos relacionamentos, seja de amigos ou romântico, eu tenha me projetado de modo a me doar mais do que receber, e quando careço disso, não é dado. Me frustra e falta no outro a vontade da percepção. É cômodo. Acaba que meus 14 anos morando sozinha, trouxe como consequência a dificuldade de viver em comunhão diante dessa minha dificuldade de falar e do mínimo de perceber. Vivi isso uma vez. 
Então, não fui feita para ninguém senão para meu próprio desfrute. 
Me sinto estrangeira, parida noutro astro, vim de longe — eu não sou daqui, eu não sou de lá. Não me encaixo: vago. À mercê.
De que? De mim! 
Estou a passeio. Um tanto perdida, tudo confundo, titubeio. Nada me alcança. O amor telúrico é para mim mera superficialidade — eu, que só conheço o extremo do afogamento, tenho asco aos mares rasos. Busco mais. De onde venho, não há eufemismo: é tudo hipérbole, chega a ser exagero. A apatia destes rostos me espanta. As normas deste mundo foram-me sempre incompreensíveis — minha única linguagem é a liberdade, tentativa de cuidar. Não há sentido em minhas palavras incongruentes; eu sou ilegível ou nem legível por demais. O universo não me conhece e nada sei das entranhas do cosmos que me embala; sou levada onde o vento vai, minha bússola falha. Não entendo, tampouco sou entendida. Na tentativa insolente de caber, sufoco em espaços muito pequenos. Traço diariamente a trajetória de Sísifio; existir é tarefa implacável que esgota-me as energias. Esvaziando-me em vãs tentativas, torno-me oca e rasa. A paisagem é estonteante mas já não sei seguir sua trilha árdua. Eu quero ficar, eu quero ir embora. Eu quero tudo, quero tanto, quero nada. Eu quero... 

terça-feira, 5 de maio de 2020

Tentando ser...


Tem brigas que não precisamos comprar, ciúmes que não precisamos sentir, sentimentos que não precisam existir... 
A medida que vamos tentando, vai acontecendo de forma muito natural:

“Talvez amar seja outra coisa. É mais do que apenas se sentir leve e livre. É saber que o coração dos outros não é seu. Não lhe pertence, porque não é um contrato. A cada dia você deve merecer e dizer. E mais importante, deve fazer o outro sentir. E compreender pelas respostas que talvez seja necessário mudar. Talvez, amar seja abandonar quem você é para encontrar o caminho de quem você pode ser. Só talvez”.

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Crise

Não muito tempo atrás, dormi em sono profundo assim como Bela Adormecida, mas não fui acordada com o beijo encantado. Muitos lembrarão de mim como uma criança fraca ou pentelha demais e mimada ou nenhum um pouco mimada, mas que sempre soube aproveitar o que tinha. Eu tive demais, minha vida foi ótima não posso reclamar. Mas por dentro, em alguns momentos fui pó, insuficiente, amarga, dolorida, tantos adjetivos para o mesmo corpo.
Você já prendeu a respiração para ver quanto tempo conseguia segurar?
Durante alguns anos, tive a resistência de dois minutos, entre as crianças do clube, eu mantinha esse recorde. 
Você já carregou tanto peso nas costas que se arrastava pelas veredas da vida, como se nada fizesse sentido? Affuu... Eu já. 
Sempre falei para todo mundo, que colocar um sorriso no rosto e agir com felicidade quando por dentro estava tão quebrada era ridículo, mas sempre fiz isso. De tanto sorrir, acabava por acontecer naturalmente, sem que me desse conta. Carrego o peso de coisas que nem são minhas e que nem tem sentido algum eu carregá-las, ninguém me requisitou para isso. Eu tento criar algum sentido mágico na vida.
Sempre me falaram as mesmas coisas, dramática, ridícula, fria. Com o tempo cheguei a conclusão, estão certos sou um poço de dramatização barata, ridicularizada por coisas que jamais entendi ou fiz questão de entender.
Sou vulcão em erupção, causarei um terrível desastre em mim mesma. Sempre preferi meu desastre dentro de mim, seria mais saudável como diriam.
Existe uma erupção acontecendo dentro de mim, ela irá me alastrar, mas pelo menos será indolor.
Eu nunca saberei me explicar. 
Não julgue minha escolha. Eu faço porque meu caos já machucou gente demais e já me machucou demais por vezes.
Será que alguém ninguém já parou para pensar o quanto as palavras ferem mais do que facas? Que lágrimas nem sempre saem pelos olhos que às vezes a alma é que chora e sangra? 
Faça amigos, encontre amor, esteja com a família, cresça, reerga-se quando se machucar.