domingo, 30 de agosto de 2020

Acolhimento

Eu não sei de tudo que você já enfrentou nessa vida, das coisas que enfrentou e de como precisou fazer.
Não sei quantas vezes você se encontrou caída no chão, sozinha, sem ninguém para te ajudar a levantar, se teve ajuda ou não.
Não sei quantos tropeços te deram, quantos te derrubaram realmente.
Não sei das suas dores e cicatrizes, se já passaram ou se ainda estão aí, e como elas estão.
Você não precisa me contar se não quiser, apesar de que eu gostaria de saber e tentar, mas eu entendo, pelo menos tento. Talvez eu não sinta exatamente o mesmo, porque isso seria realmente impossível, mas juro que tento entender mais a cada dia.
As vezes quando seus olhos estão cansados se parecem com os meus. Sua boca, que pronuncia as palavras tão calmas, doces, as vezes vejo grosserias e sei que não são suas. Eu sei que atrás do seu sorriso, muitas vezes, se escondem vários não-sorrisos. Eu sei que nas suas brincadeiras, se escondem uma vontade de chorar baixinho, calada, sem plateia alguma que possa te julgar, de um momento tão íntimo e seu, que não se permite nunca compartilhar. Eu sei também que no seu “não foi nada”, existem vários “tudos” que ninguém nunca para para escutar, desse jeito que você gostaria que fosse. Acredite, eu sei como é.
Sei como é você gritar calada por um pedido de socorro e todos te olharem e simplesmente passarem reto, porque isso não está claro para eles.
Mas olha, eu quero que você saiba que não vou ser uma dessas pessoas. Sei que talvez agora, você não acredite. Eu também não acreditaria, mas vou te provar que vai ser diferente, vou te mostrar que aqui é peito, colo, aconchego, dengo, abraço, acolhimento. Você não precisa se cobrar tanto e tampouco ser perfeita, que seus defeitos são efeitos sobre tudo. Vamos aprender juntas a seguir esse caminho. Não vou te abandonar na primeira dificuldade. Não vou te julgar ou te deixar pra trás.

Eu já estive em um lugar parecido com o seu e, vez ou outra, me deparo voltando para o mesmo. Ninguém foi capaz de me escutar mais do que cinco minutos e dizer tudo isso que eu estou te dizendo agora. Ninguém nunca foi tão por mim o que eu quero ser por você e para você, algumas pessoas chegaram a tentar, não vou ser injusta. Quero que você saiba, deixando bem claro, que isso não é uma troca de favores, nunca será. Estou aqui, inteira para você porque o meu coração quer estar. Então vem, segura a minha mão. Agora aperta e não solta. Estamos juntas nisso de verdade. 

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Marla Medeiros

Veio como 
                  FOICE
                  FOI SE
Como veio.

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Renovar

Eu meio que me saturei, sabe? Exauri!

Cansei dessa falta de vida, ficar trancafiada dentro de mim mesma nesse tempo. Sentindo falta de viver o mundo, o todo, explorar. Extravasar.

Um ato de resiliência me levantar todos os dias, ir a luta quando acho que não vou dar conta e a vida deixa de fazer muito sentido. Acho força para ainda assim sorrir e ser gentil com as pessoas, mesmo sufocada por dentro.

Me impressiono com a forma como me disponho a dar um amor que nunca vivi, na verdade eu o descubro hoje em dia em cada pessoa, esse formato de amor apesar do modo como sempre fui tratada. 

Eu sempre sigo, sempre olhando para frente e sem nunca desistir, porque acredito e sempre vou acreditar que existe algo maior me esperando.

Eu posso jurar, que se pudesse ser no mínimo normal talvez eu até tentaria.

Eu me lembro bem do era uma vez…

Quando eu olhava alguém normal vivendo uma adolescência normal, pensava: como será?

Eu as via e desejava aquela vida normal, o mundo delas. A minha foi um normal de anormal para muitos, mas não reclamo. Tive tudo que precisei para estar aqui hoje e ser exatamente essa pessoa que sou. Não era exatamente o sonho de adolescência mas era a minha adolescência.

Hoje me pergunto se restam fragmentos daquela adolescente em mim? De como as vezes sinto uma saudades de certas coisas daquela euzinha.

Eu não posso assegurar uma resposta, eu apenas gostaria que isso acontecesse as vezes.

Não sei quantas vezes tentei ser como aquelas garotas dos livros românticos, com uma linda infância, um lindo romance e uma ótima vida.

Você sabe o que é colocar, todas as noites, sua cabeça no travesseiro e sonhar com um romance digno de livro de romance e amigos para a vida inteira?

I-n-c-o-n-t-á-v-é-i-s foram as noites das quais desejei isso, que almejei com toda a minha força uma vida assim.

Eu queria ser aquela pessoa que alguém se apaixona e re-apaixona todos os dias, mas na realidade minha confusão interna afasta todos de mim, eu já nem sei mais como melhorar meus erros e defeitos, eu já cansei da minha dificuldade de comunicar, de ter uma boa relação e de não trazer peso e dor de cabeça para a vida de alguém.

Eu me saturei dessa tentativa de fazer tudo diferente, consertar meus erros, ser alguém, alguém diferente do que realmente sou... saturei de ouvir o quanto estrago tudo que toco e como machuco todos que me relaciono, que a minha forma de falar não é fofa, que meu tom desagrada e de quando eu tento ser fofa, ouvir que to chata ou que não faz sentido eu querer saber de alguém, me frustar, reclamar e depois ter coragem de procurar de novo. Realmente tenho refletido muito. 

Eu vou manter o respeito, jamais vou fazer o que não gostaria que fizesse comigo.

Renovação! 

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Gente

Eu gosto de gente que sente ciúmes, aquele ciúmes fofo, saudável e que até rende um sexo gostoso demais, que emburra e que desfaz o bico assim que recebe meu dengo.
Eu gosto de gente simples, que se dispersa vendo onde aquela formiguinha vai carregando sua folha, a marca do trajeto.
De gente que tropeça e sai correndo, fingindo que estava brincando.
Gosto de gente meio estranha, que olha dos dois lados pra atravessar a rua, mesmo sabendo que ela é de uma mão só.
Eu gosto de gente natural, de cabelo bagunçado, de cara de sono, de sorriso largo e coração grande.
Gosto de gente que depois de tudo, me mostra um lado que eu não conhecia e que facilita o meu sentimento de preguiça e afastamento para poder partir.
Que deixa claro mesmo que nem o interesse em saber se estou viva ou estou morta existe.
Gosto de gente com transparência suficiente para que eu me coloque no meu lugar e me faça tranquilamente seguir em frente sem olhar para trás. 
Gosto da honestidade desse poder partir.
Gosto de gente que também me deixa ser bagunça, porque sou muito.