Sim! Podemos acabar em dois dias, ou durar ainda dois mil anos. Não sabemos qual das duas hipóteses, por isso, é difícil pra muita gente se interessar por alguma coisa, mais ainda agora nesses tempos de tamanha incerteza.
Contudo, você não vai me ver mentir.
Desista!
Mentiria sobre a cor do meu cabelo. Sobre minha altura. Até sobre meus planos para o futuro. Mas não mentiria sobre o que eu sinto.
Nem sob tortura!
Posso mentir sobre minha noite anterior. Sobre minha viagem inesquecível. Mas não mentiria sobre você, sobre nós.
Não na sua cara!
Não me faça mentir e dizer que não te quero. Que não estou na sua. Não me obrigue a jogar. Não me obrigue a dizer “não” quando eu quiser dizer “sim”. Não me faça tirar você da minha vida, porque eu ainda consigo nos ver seguindo.
Minta para mim, mas não minta para você.
quarta-feira, 27 de maio de 2020
Presente
“ Faça o bem para si e acredite: ninguém vai se chatear com isso. Negue-se a participar de coisas em que não acredita ou que simplesmente o aborrecem. Presenteie-se com boa música, bons livros e boas conversas. Não troque sua paz por encenação. Não faça nada que o desagrade só para agradar aos outros. Mas seja gentil e educado, isso reforça laços, está incluído no projeto ‘ser amigo de si mesmo’“.
Martha Medeiros
Martha Medeiros
sexta-feira, 15 de maio de 2020
Incerto
Caralho, todo prazer tem certo amargor, o drama do prazer; todas as coisas agradáveis acabam por amargar, uma vez que o doce deixa de existir; todas as flores murcham quando as colhemos e não somos capazes de regar de acordo com a sua necessidade, e todo o amor morre tanto mais depressa quanto é mais retribuído. Por isso o passado, sempre, parece-nos sempre melhor que o presente; esquecemos os espinhos das rosas colhidas; saltamos por cima dos insultos e injúrias e demoramo-nos sobre as vitórias. O presente parece muito mesquinho diante de um passado do qual só retemos na memória o bom, e diante de um futuro que ainda é sonho. O que alcançamos nunca nos contenta; ‘olhamos para diante e para trás em procura do que não está ali’; não somos bastante sábios para amar o presente do mesmo modo que o amaremos quando se tornar passado, mas somos aflitos demais para viver o futuro sem certeza alguma. Quando mergulhamos num prazer, o nosso olhar vai para longe - a felicidade ainda não está alcançada apesar de termos o deleite nos nossos braços. Que mau demônio nos afeiçoou assim? Por que é tão melhor a ilusão que a realidade?
domingo, 10 de maio de 2020
Te tão
No auge da minha transformação, de jovem a balzaquiana faço a constatação:
A solidão é minha sentença inafiançável, uma vez que em meio há tantos relacionamentos, seja de amigos ou romântico, eu tenha me projetado de modo a me doar mais do que receber, e quando careço disso, não é dado. Me frustra e falta no outro a vontade da percepção. É cômodo. Acaba que meus 14 anos morando sozinha, trouxe como consequência a dificuldade de viver em comunhão diante dessa minha dificuldade de falar e do mínimo de perceber. Vivi isso uma vez.
Então, não fui feita para ninguém senão para meu próprio desfrute.
Me sinto estrangeira, parida noutro astro, vim de longe — eu não sou daqui, eu não sou de lá. Não me encaixo: vago. À mercê.
De que? De mim!
Estou a passeio. Um tanto perdida, tudo confundo, titubeio. Nada me alcança. O amor telúrico é para mim mera superficialidade — eu, que só conheço o extremo do afogamento, tenho asco aos mares rasos. Busco mais. De onde venho, não há eufemismo: é tudo hipérbole, chega a ser exagero. A apatia destes rostos me espanta. As normas deste mundo foram-me sempre incompreensíveis — minha única linguagem é a liberdade, tentativa de cuidar. Não há sentido em minhas palavras incongruentes; eu sou ilegível ou nem legível por demais. O universo não me conhece e nada sei das entranhas do cosmos que me embala; sou levada onde o vento vai, minha bússola falha. Não entendo, tampouco sou entendida. Na tentativa insolente de caber, sufoco em espaços muito pequenos. Traço diariamente a trajetória de Sísifio; existir é tarefa implacável que esgota-me as energias. Esvaziando-me em vãs tentativas, torno-me oca e rasa. A paisagem é estonteante mas já não sei seguir sua trilha árdua. Eu quero ficar, eu quero ir embora. Eu quero tudo, quero tanto, quero nada. Eu quero...
terça-feira, 5 de maio de 2020
Tentando ser...
Tem brigas que não precisamos comprar, ciúmes que não precisamos sentir, sentimentos que não precisam existir...
A medida que vamos tentando, vai acontecendo de forma muito natural:
“Talvez amar seja outra coisa. É mais do que apenas se sentir leve e livre. É saber que o coração dos outros não é seu. Não lhe pertence, porque não é um contrato. A cada dia você deve merecer e dizer. E mais importante, deve fazer o outro sentir. E compreender pelas respostas que talvez seja necessário mudar. Talvez, amar seja abandonar quem você é para encontrar o caminho de quem você pode ser. Só talvez”.
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