sábado, 26 de março de 2016

Sobre a Páscoa

Durante a nossa vida causamos transtornos na
vida de muitas pessoas,
porque somos imperfeitos.

Nas esquinas da vida, pronunciamos palavras inadequadas,
falamos sem necessidade,
incomodamos.

Nas relações mais próximas, agredimos sem intenção ou intencionalmente.
Mas agredimos.

Não respeitamos o
tempo do outro,
a história do outro.

Parece que o mundo gira
em torno dos nossos desejos
e o outro é apenas
um detalhe.

E, assim, vamos causando transtornos.

Esses tantos transtornos mostram que não estamos prontos, mas em construção.

Tijolo a tijolo, o templo da nossa história vai ganhando forma.

O outro também está em construção e também causa transtornos.

E, às vezes,
um tijolo cai e nos machuca.
Outras vezes,
é o cal ou o cimento que suja nosso rosto.
E quando não é um,
é outro.
E o tempo todo nós temos que nos limpar e cuidar das feridas, assim como os outros que convivem conosco
também têm de fazer.

Os erros dos outros,
os meus erros.
Os meus erros,
os erros dos outros.

Esta é uma conclusão essencial:
todas as pessoas erram.
A partir dessa conclusão, chegamos a uma necessidade
humana e cristã:
o perdão.

Perdoar é cuidar das feridas e sujeiras.
É compreender que os
transtornos são muitas vezes involuntários.

Que os erros dos outros são
semelhantes aos meus erros e que,
como caminhantes de uma jornada,
é preciso olhar adiante.

Se nos preocupamos com
o que passou,
com a poeira,
com o tijolo caído,
o horizonte deixará de ser contemplado.
E será um desperdício.

O convite que faço é que você experimente a beleza
do perdão.
É um banho na alma!
Deixa leve!

Se eu errei,
se eu o magoei,
se eu o julguei mal,
desculpe-me por todos
esses transtornos…
Estou em construção!

PAPA FRANCISCO


sexta-feira, 4 de março de 2016

Dia D

Eu odeio a forma como meus ossos se escondem por trás dos meus erros sem nenhuma piedade, eu odeio a culpa que expõe minhas falhas atrás de vastas camadas de gordura - culpas que não deveriam existir, de erros do passado que cometi.
Eu odeio o sufoco, a falta de ar e de forças que me paralisam e o coração acelerado de expectativas.
Eu odeio a noite que se aproxima e a ansiedade que me leva até a geladeira, e dentro dela, eu odeio tudo. Eu odeio persistir, da mesma forma que odeio pensar em desistir. Porque o Persistir às vezes parece desistir.
Eu odeio as desculpas e as mentiras, e também odeio as verdades. 
Eu odeio aquele olhar que me julga dizendo que não aprendi a gostar como normalmente as pessoas gostam. Eu odeio que gosto como quem não quer, como quem recusa e não sabe receber. 
Eu gosto como quem some e escorrega nas próprias desculpas ditas em voz alta para virarem realidade. Eu gosto na confusão de não me confessar.
Odeio como sempre fico na minha aguentando os trancos, tentando me equilibrar a cada tropeço, me levantando de cada tombo, e segurando todo peso sozinha. Odeio não saber gritar e falar que está doendo, que está sangrando e que tenho medo. O problema é que eu não suporto reconhecer a minha própria fraqueza.

Então um dia eu acordei e disse a mim: que o mundo no qual eu acreditava haveria de existir em algum lugar. Mesmo sendo apenas dentro de mim.

Finalmente aceito esse meu jeito de amar diferente.

Amo não conseguir odiar! 

Te respeito, mas você não tem o direito de vir aqui e dizer a forma que devo amar. Eu te amo por mim, sendo assim! 

Amanhã o ódio será paz!