quinta-feira, 21 de julho de 2022

Aspas

“Como você conseguiu amarrar ela?

Simples. Nenhum amigo de bar dela enxerga que a insegurança dela combina com a vontade de cuidar das pessoas que ela tem.

Que ela prefere fazer amor sábado à noite ao invés de frequentar lugares fechados. Ela vê que ela se preocupa quando ela trabalha até tarde ou demora para chegar. Que as duas gostam de vinho, curtem bike, cachorro quente de carrocinha e Netflix. Que ela ri quando ela gagueja em uma discussão, não se importa dela ser meio calada as vezes, ou quando ela é extrovertida demais e reconhece nela uma mulher engraçada e carinhosa. Ela é aquilo que ninguém vê, mais tudo do que é visto e tudo aquilo que ela gosta no mesmo frasco, atrás do rótulo. Respondendo aos fulanizadores que não as entendem, é possível viver um longo período entusiasmada ao lado de alguém, ao lado dela. Basta não relacionar-se com estereótipos, mas sim com aquela que sinta a mesma emoção em contemplar o mar ou olhar no fundo dos seus olhos, com quem gosta de você como é vale a pena se amarrar por tempo indeterminado”. 


Evito olhar direto no seu rosto pra não dar aquela vontade insana de querer uma porção de coisas com você. 

Intensidade

Quando começo à escrever, algo muda drasticamente na minha rotina.
Os meus olhos se encantam nos menores detalhes. 
Aquilo que era sem cor, passa à ser aquarela. 
Aquilo que não tinha brilho, passa à reluzir em nossos olhos. 
Aquilo que era morto, já agora vive. 

Não há voltas na vida. 

Águas idas e vindas não passam novamente. Águas continuam sempre a passar, sempre diferentes.

Então, é melhor a gente se acostumar com as mudanças, que as vezes não sao volta, sao recomeços. 

Quantas pessoas saíram da minha vida, porque não souberam lidar com a intensidade dos meus sentimentos.
Quantas vezes me senti culpada por ser assim, só hoje consigo entender que nem sempre, fui eu quem perdeu.

Ir de encontro a quem me permita ser louca.

Encontrar aquele que veja a minha loucura mas que fite os olhos em mim como se fosse algo completamente normal.

Encontrar aquele que me deixa ser livre para eu ser quem realmente desejo ser. 

Não é sobre encontrar amor, é sobre encontrar pessoas. 

domingo, 26 de junho de 2022

Encontro

Encontro

Escípio da Cunha Lobo

Eu não estou aqui

Para viver em função

Do que você espera de mim...

Nem quero que você

Conforme sua vida

Ao que eu possa esperar de você

 

Que você não se anule

Na intenção de me agradar...

Nem que eu me violente

Para merecer o seu amor

Que eu seja eu

E você seja você

 

Mas você é tão importante para mim

Que eu não posso lhe magoar,

Sem magoar a mim mesmo...

Você é tão importante para mim,

Que eu não consigo ser feliz,

Sem ter você feliz ao meu lado.

 

É nesse encontro

Que nos transformamos...

E é nos transformando

Que nós nos encontramos.

terça-feira, 14 de junho de 2022

Despertar

Desperte os meus sentidos. Eu gosto de tudo que foge do convencional; o fácil não é pra mim. Eu quero alguém que mova montanhas, que tenha todos os motivos pra ir e escolha ficar pra buscar solucionar comigo. Então não é fácil, e o efêmero que um dia tanto me atraiu, hoje em dia perdeu o sentido pra mim. É fácil amar o que é rápido, a felicidade instantânea. E por isso, busco algo duradouro, alguém que saiba me ver além da aparência, alguém que queira mais do que apenas prazeres; alguém que queira minha bagunça e que encontre sentido nela. Se você não pode ser essa pessoa, não cruze o meu caminho apenas por diversão, eu irei identificar as suas más intenções logo de cara, porque eu não mostro apenas o que é bonito, eu também sei mostrar o que é caótico.

Literatura - Solitude

Assim como, por muito tempo, os homens se enganaram a respeito do movimento do
sol, eles ainda se enganam quanto ao
movimento do porvir. O futuro permanece
firme, caro senhor Kappus, mas nós nos
movemos no espaço infinito.
Como isso não seria difícil para nós?
Voltando ao assunto da solidão, fica
cada vez mais claro que no fundo ela não é
nada que se possa escolher ou abandonar.
Somos solitários. É possível iludir-se a esse
respeito e agir como se não fôssemos.
tudo. Muito melhor, porém, é perceber
que somos solitários, e partir exatamente
daí. Com certeza acontecerá de sentirmos
vertigens, pois todos os pontos em que
nossos olhos costumavam descansar nos
são tirados, não há mais nada próximo, e
toda distância é uma distância infinita.
Quem fosse retirado de seu quarto, quase
sem preparação ou transição, e posto nas
alturas de uma grande montanha, necessariamente sentiria algo semelhante: uma
insegurança sem igual, um abandono ao
inominável quase o aniquilariam. Ele pen-
saria estar caindo ou sendo arrastado pelos
ares ou destroçado em mil pedaços. Seu
cérebro precisaria inventar uma mentira
enorme para captar e esclarecer a situação
de seus sentidos.
Quanto mais tranqüilos, pacientes e
receptivos formos quando estamos tristes.
tanto mais profundo e mais firme o modo
como o novo entra em nós, tanto mais
fazemos por merecê-lo, tanto mais ele se
torna o nosso destino. Assim, quando em
um dia distante o novo “acontecer" (ou seja: sair de nós e aparecer para os outros), estaremos intimamente familiarizados com ele e nos sentiremos próximos.
É necessário que isso ocorra. É necessário e dessa maneira se dá aos poucos a nossa evolução - que não experimentemos nada de estranho, mas apenas aquilo que nos pertence há muito tempo.
Como para aquele homem no pico da montanha, surgem então imaginações inabituais e sensações estranhas, que parecem ultrapassar a medida do que se pode suportar. No entanto é necessário que vivamos também isso. Precisamos aceitar a nossa existência em todo o seu alcance; tudo, mesmo o inaudito, tem de ser possível nela. No fundo é esta a única coragem que se exige de nós: sermos corajosos diante do que é mais estranho, mais maravilhoso e mais inexplicável entre tudo com que nos deparamos. O fato de os homens terem sido covardes nesse sentido causou danos infinitos à vida; as experiências que são chamadas de "fenômenos", todo o suposto “mundo dos espíritos" morte, todas essas coisas tão familiares para nós foram tão excluídas da vida, por meio de uma atitude cotidiana defensiva, que os sentidos com os quais poderíamos apreendê-las se atrofiaram. Sem falar em Deus. Mas o medo do inexplicável não empobreceu apenas a existência individual, também as relações entre as pessoas foram limitadas por ele, como que transferidas do leito de um rio de infinitas possibilidades para um local ermo da margem”.
Fragmentos do livro: Cartas a um jovem Poeta, Rilke

domingo, 5 de junho de 2022

Uma leitura Inspiradora

"Peço-lhe que tente ter amor pelas próprias perguntas, como quartos fechados e como livros escritos em uma língua estrangeira.
Não investigue agora as respostas que não lhe podem ser dadas, porque não poderia vivê-las. E é disto que se trata, de viver tudo. Viva agora as perguntas.
Talvez passe, gradativamente, em um belo dia, sem perceber, a viver as respostas.
Talvez o senhor já traga consigo a possibilidade de construir e formar, como um modo de viver especialmente afortunado e puro; eduque-se para isso. Mas aceite com grande confiança o que vier, e se vier apenas de sua vontade, se for proveniente de qualquer necessidade de seu íntimo, aceite-o e não o odeie.
A carne é um fardo, verdade. Mas é difícil a nossa incumbência, quase tudo o que é sério é difícil, e tudo é sério. 
Se o senhor reconhecer apenas isso e chegar a conquistar, a partir de si, de sua disposição e de seu modo de ser, de sua experiência e infância e força, uma relação inteiramente própria (não dominada pela convenção e pelo hábito) com a carne, então o senhor não precisa mais ter receio de se perder e se tornar indigno de sua melhor posse.
Muitos cansados de sua vida, como uma distração, em vez de uma concentração para alcançar pontos mais altos. 
Os homens converteram até mesmo o ato de comer em uma outra coisa: carência por um lado e excesso por outro obscureceram a clareza dessa necessidade; e igualmente obscurecidas se tornaram todas as necessidades profundas e simples nas quais a vida se renova.
Mas o indivíduo pode esclarecê-las para si mesmo e viver claramente (senão o indivíduo que é muito dependente, pelo menos o solitário).
Ele pode recordar que toda a beleza nos animais e nas plantas é uma forma tranqüila e duradoura de amor e anseio, pode ver o animal, como vê as plantas, unindo-se paciente e voluntariamente, multiplicando-se e crescendo não por desejo físico nem por dor física, voltando-se para necessidades que são maiores do que o desejo e a dor, mais poderosas do que a vontade e a resistência.
Ah, que o homem pudesse aceitar humildemente esse segredo, do qual a Terra está repleta até em suas menores coisas, e o suportasse com seriedade, sentindo como ele é terrivelmente pesado, em vez de tomá-lo de maneira leviana. Que ele tivesse respeito diante de sua própria fecundidade, que é uma só, mesmo parecendo ora espiritual ora corpo. 
A volúpia corporal é uma vivência dos sentidos, não difere do simples olhar ou da pura sensação de água na boca causada por uma fruta; ela é uma grande experiência, infinita, que nos é dada, um saber do mundo, a plenitude e o brilho de todo saber.
Não é ruim o fato de a aceitarmos; ruim é o fato de que quase todos abusam dessa experiência e a desperdiçam, usando-a como um estímulo nos momentos.
Mas tudo o que talvez um dia ainda seja possível para muitos o solitário pode, já agora, preparar e construir com suas mãos, que erram menos. Por isso, caro senhor, ame a sua solidão e suporte a dor que ela lhe causa com belos lamentos. Pois os que são próximos do senhor estão distantes, é o que diz, e isso mostra que o espaço começa a se ampliar à sua volta.
Se o próximo está longe, então o que é distante vaga entre as estrelas, na imensidão. Alegre-se com seu crescimento, para o qual não pode levar ninguém junto, e seja bondoso com aqueles que ficam para trás, seja seguro e tranqüilo diante deles, sem perturbá-los com as suas dúvidas nem assustá-los com uma confiança ou alegria que eles não poderiam compreender.
Procure constituir com eles algum tipo de comunhão simples e fiel, que não precise ser alterada à medida que o senhor mesmo se modifica cada vez mais. Ame neles a vida em uma outra forma e seja indulgente com pessoas mais velhas que temem a solidão na qual o senhor tem confiança.
Evite alimentar aquele drama que sempre existe entre pais e filhos; ele desperdiça muita força dos filhos e consome o amor dos pais, um amor que atua e acolhe, mesmo que não seja compreensivo.
Não reivindique deles conselho algum e não conte com compreensão alguma, mas acredite em um amor que foi conservado para o senhor como uma herança, confie no fato de que há nesse amor uma força e uma bênção, das quais não escapará para ir muito longe.
É bom, antes de tudo, que o senhor exerça uma profissão, porque isso o tornará independente e o entregará por completo a si mesmo, em todos os sentidos.
Aguarde com paciência para saber se a sua vida mais íntima ficará restrita pela forma dessa profissão. Eu a considero muito difícil e muito exigente, uma vez que é carregada de grandes convenções e não deixa quase nenhum espaço para uma concepção pessoal de suas tarefas. 
Mas a sua solidão será um pouso e um lar, mesmo em meio a relações muito hostis, e a partir dela o senhor encontrará os seus caminhos. 
Todos os meus desejos estão prontos para acompanhá-lo e a minha confiança está com o senhor".

terça-feira, 24 de maio de 2022

Gastrite

Daí ela se lembrou de como é ser forte.

Ela enxugou suas lágrimas e sorriu.

Sim, sorriu, porque ela sabe que algo melhor está por vir.

Ela sabe.

Não é bacana ser orgulhoso.

Se mostrar forte, 

mas ter o mesmo pensamento quando acorda e quando dorme. 

Lembrar com a cabeça no travesseiro

 ou o olhar congelado na estrada.

Ouvir a música e conseguir sentir o cheiro.

Se a sua sinceridade não for bem

recebida, acontece. 

Toda decepção vale o alívio. 

Não é bacana engolir a saudade.

Sério, orgulho dá gastrite.

quinta-feira, 12 de maio de 2022

Vida um sopro

 Semana passada, em família, celebrávamos a vida. Mais um aniversário, mais um ano.

Essa semana, nos frustramos com a morte. Uma vida perdida. 

A morte tira mais que a vida perdida, ela tira um pedacinho de cada um dos que aqui ficam. 

sábado, 12 de março de 2022

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

incansável

 Foi a minha escolha, foi a minha decisão, fui eu, apenas eu, que escolhi onde estou, onde estar... 

Foram/são as minhas expectativas. Então essa dor e desconforto só podem ser meus. No fim, a culpa será sempre minha: minhas escolhas. Por que esperar qualquer coisa do outro, mesmo que seja pai, mãe, família...? São seres humanos. A energia que habita me mim se esvai, de mim para mim. Eu tento culpar alguém por isso, fazer por isso, por aquilo... no fim, é só sobre mim.

Como diz meu terapeuta, como dizem as pessoas: ninguém muda ninguém. Eu por sei la o que, me mudo para estar bem. Eu não aceito acomodação das pessoas ao meu lado, mas ai é o que: esta em mim.