Tem algo que saiu de mim hoje de manhã, mas do que importa? Eu lembrei de quando beijei teu colo cru e você me puxou para que eu pudesse sentir seu beijo de boca fria. Eu me vi morta nos teus olhos e ainda fazia tanto calor! A gente se bateu, acho que foi um erro que universo cometeu, deve ser por isso que ele tá indiferente a gente agora. Fomos sepultadas em algum canto e ninguém foi ao nosso enterro. A gente lutou feito poeta, mas teve arte que vontade de ficar. Foi algo que consumiu mesmo, e agora sinto que estou sentada a sua porta porque me deixei ser consumida. Tá fazendo um frio danado. Tem um hino que tá tocando do seu quarto e eu ouço daqui, tem som de angustia e parece forte! Tem um cântico aí que tá saindo do seu peito e cantando o céu inteiro, é por isso que tá tão frio, não é? É noite, e as sombras das arvores cobrem a rua inteira que eu não vejo quase nada que me inquieta. Eu tô com saudade das suas mãos pálidas e virgens… eu queria gritar… saudades da nossa sepultura com seu nome e suas vestes tristes e solitárias… saudades de março e maio de quando eu era a sua fome e seu sussurro de socorro. Tem tanto sentimento aqui! Mas que vou já liberá-los porque eu tô me renascendo em terra e já posso te ler nas entrelinhas, mas quem dera, viu? ter um pouco de você mais aqui!
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