sábado, 29 de fevereiro de 2020

Teu eu

Tocar e ser tocada
Te tocar...
Te sentir...
Teu cheiro...
Teu gosto...
Teu gozo 

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Diálogo

- Eu não entendo, o que você quer que eu faça?
 - Eu só quero que você lute por mim! Eu só quero que lute por mim.
Sou provavelmente uma das pessoas mais estranhas do mundo, com o peso do exagero que me cabe. Sou “o” exagero; “o” 8-80. 
Eu sou uma incógnita; você não pararia sua vida para tentar entender, aliás, alguém pararia? 
Não me prendo a nada que me defina. Sou companhia, mas posso ser solidão. Tranquilidade e inconstância, pedra e coração. Sou abraços, sorrisos, ânimo, bom humor, sarcasmo, preguiça e sono. Música alta e silêncio. Não sei até onde possa ser bom essa inconstância.
Eu nunca consigo entender o que sinto; meio óbvio não? Não porque não quero, não sei, parece demência. Não sou emocionalmente inteligente, acho que é isso, eeee requisito muito importante, mais importante do que aparência. Eu sou um desastre em relacionamentos; digo, todos mesmos, até os familiares não dão certo na minha vida.  Eu fui moldada pela vida, sem muitas expectativas em assuntos do coração.( Pausa para um caso aleatório: hoje quando meu pai me ligou, atendi, e ele queria apenas falar: amo você. É o tipo de coisa que me trava e faz repensar algumas coisas da vida, melhor deixar isso pra outro momento). As vezes acho que você merece uma pessoa que te entenda, da forma que você carece e precisa.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

E aí?

Ando tão cansada, e as poucas horas em que consigo realmente cair no sono são consequências de um corpo exausto. O trabalho tem me exaurido, mesmo que de uma forma boa. Ando exausta de lutar com um coração tão estúpido e uma mente que de tão agitada não se cala. Poderia dar tantos motivos, dizer meia dúzia de clichês, mas pra que? Tudo que eu queria mesmo dizer era.. “sinto sua falta.”
Na minha ordem tenho me desordenado 

domingo, 16 de fevereiro de 2020

Gratidão x ingratidão



Como expressar onde não se sabe sentir?
Como falar onde não se sabe ouvir? 
Para quem falar onde todos são surdos? 
Como dizer quando ninguém quer ouvir?
Quando escrever quando todos parecem não saber ler? 
Como? Como? Como?
Tentar falar quando não é possível se fazer entendido, a outra pessoa simplesmente não quer saber... é quando você entrega a receita nas maos com todos os segredos, ainda assim a pessoa não segue mas quer que o resultado seja igual ou melhor que a receita. Mas cá entre nós, você já experimentou um risoto de camarão sem camarão? É como acontece agora: você passa a receita e o passo a passo... seguir ou não, é uma questão de escolha, apenas não lamente o resultado. 
Eu dei todas a receitas e os mínimos detalhes, apenas não chore a minha reação. 
Então você se doa para pessoa, mesmo com todas as questões, porque o amor é incondicional 

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Fala

Engole o choro. Engole sapo. Cala a boca. Cala o peito. Mas o corpo fala, como fala.
Fala a ponta dos dedos batendo na mesa. Falam os pés inquietos, principalmente na cama.
Fala a gastrite, o refluxo, a ansiedade. Fala o nó na garganta atravessado. Fala a angústia, fala a ruga na testa. Fala a insônia, o sono demasiado.
Você se cala, mas o falatório interno começa.
As pessoas adoecem porque cultivam e guardam as coisas não digeridas dentro de seus corações.
Porque ao invés de gritar para fora, gritam para dentro

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

O que?

O que/quem você sonha quando está acordado?
O que/quem você pensa quando está dormindo?

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Diário de uma paixão fugitiva


Gosto da forma que você me olha como se fosse a primeira vez, algumas vezes como se fosse a última e você simplesmente não pudesse tirar os olhos de mim para não perder nenhum detalhe, nenhum momento e guardar tudo na memória.

Eu gosto de como você me toca, da sua mão macia. Eu gosto de como você me segura. Nunca me apertando muito nem me deixando muito solta. Você sabe exatamente como não me perder e como não me quebrar, espero que nunca quebrar.

Gosto da sua boca, de como ela encontra a minha, como elas se encaixam e da sua voz. Respectivamente, desenhada e tão suave que mais parece música para os meus ouvidos.

Eu gosto de olhar para você, ficar te observando mesmo que de longe.

Apesar de toda espera, esperar foi uma forma linda de dizer: Eu confio


- Por que você está me olhando desse jeito? 
- Só lembranças…
Eu comecei a desejar ela enquanto estávamos separadas distantes, e desejei ainda mais no momento em que a vi.

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Lembrança

      O CORVO *
      (de Edgar Allan Poe)
    Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
    Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
    E já quase adormecia, ouvi o que parecia
    O som de algúem que batia levemente a meus umbrais.
    "Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.
    É só isto, e nada mais."Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
    E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
    Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
    P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
    Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
    Mas sem nome aqui jamais!Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
    Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
    Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
    "É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
    Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
    É só isto, e nada mais".E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
    "Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;
    Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
    Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
    Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.
    Noite, noite e nada mais.A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
    Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
    Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
    E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
    Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
    Isso só e nada mais.Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
    Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
    "Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
    Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais."
    Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
    "É o vento, e nada mais."Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
    Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
    Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
    Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
    Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,
    Foi, pousou, e nada mais.E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
    Com o solene decoro de seus ares rituais.
    "Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
    Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
    Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."
    Disse o corvo, "Nunca mais".Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
    Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
    Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
    Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
    Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
    Com o nome "Nunca mais".Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
    Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
    Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
    Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos - mortais
    Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais".
    Disse o corvo, "Nunca mais".A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
    "Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais,
    Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
    Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
    E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais
    Era este "Nunca mais".Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
    Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
    E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
    Que qu'ria esta ave agoureia dos maus tempos ancestrais,
    Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
    Com aquele "Nunca mais".Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
    À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
    Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
    No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
    Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais,
    Reclinar-se-á nunca mais!Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
    Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
    "Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te
    O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
    O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"
    Disse o corvo, "Nunca mais"."Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
    Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
    A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
    A esta casa de ância e medo, dize a esta alma a quem atrais
    Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!
    Disse o corvo, "Nunca mais"."Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
    Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
    Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
    Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
    Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"
    Disse o corvo, "Nunca mais"."Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
    Torna á noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
    Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
    Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
    Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"
    Disse o corvo, "Nunca mais".E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
    No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
    Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
    E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,
    Libertar-se-á... nunca mais!
    Traduzido por Fernando Pessoa

terça-feira, 12 de novembro de 2019

Olhar

É bom quando alguém enxerga a nossa verdade e segura a nossa mão na adversidade. Tem dias que só um afago é capaz de tirar da beira do abismo. Aquele olhar que te lê e te vê além de você. Aquele abraço de cuidado, de carinho. 
É tão mágico ver alguém doando paz para um peito aflito. 
Tudo traz um desejo de simplicidade de um sorriso que toque a alma. Um perfume que seja único, mesmo que outras cinco milhões de pessoas também o usem. Quero aquela conexão na troca de olhar que não é timidez nem malicia, não é incomodo nem invasão, aquela conexão que dispara suspiros involuntários e descompassados. Não quero nada além de  alguém que seja um esboço dos meus desejos mais íntimos e pueris em qualquer situação.
 Da pra saber o que é amor antes de ser? A paixão explode em perguntas dentro da gente quando são respondidas e quando correspondidas nos tiram da linha da razão. Adoro colecionar experiencias, tenho algumas historias para contar, mas vai chegar o dia que todas elas vão ser frutos da mesma mulher, aquela que eu ainda vou olhar nos olhos e sentir aquela vibração unica e diferente. Aquela a ser a ultima a dividir a minha cama comigo, fará eu perceber que não preciso mais buscar, apenas doar.
A perfeição não existe na sua forma mais plena, mas individualmente existe algo muito próximo a isso, algo que só podemos explicar quando encontramos o amor. 

sábado, 2 de novembro de 2019

Silêncio

A gente se cala, o que não significa que estamos concordando com o que estamos ouvindo, a gente se cala por saber que temos uma facilidade muito grande em ferir quem está falando. A gente não se cala pela falta de palavras, a gente se cala pelo excesso delas. A gente se cala para tentar de alguma forma poupar o outro de ouvir o que a gente realmente pensa. Nem todo mundo está preparado para isso. Com os pensamentos que tenho tido, com a forma que tenho me sentido, é melhor me calar. As pessoas não são lápis

Tudo é vário. 
Temporário.
Efêmero.
Nunca somos.

Sempre estamos
Passageiros