Ninguém sabe onde dói
Para todo lado que a gente olha tem alguém julgando.
Eu comecei sendo julgado por cada escolha que fiz: de quando escolhi fazer esportes: coisa de menino; do dia escolhi fazer medicina: e não passei; de quando escolhi fazer engenharia: a diferente; de quando namorei rapaz: nunca será suficiente; de quando namorei menina: lésbica diferente de tudo; de quando “desisti” da engenharia para estar mais próxima da minha mãe: fracassada, não deu conta; de estar a frente do negócio da família: mamando na teta da mãe dela porque não deu certo; ser eleita vice presidente da associação comercial: mascarando o fracasso para ocupar o tempo do que não “consegue” fazer… de quando não pode conviver com família: porque está com uma mulher. Onde era para ser colo e acolhimento, as transgressor e opressão dos olhos de onde eu via amor. A pessoa pela qual eu escolhi “largar” o sonho, que carrego comigo de amor, tem envergonha de quem eu sou.
Aí eu penso: somos julgados todos os dias por pessoas que são julgadas todos os dias.
Por que causar dor?
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