domingo, 26 de janeiro de 2014

Susto

Saudade
Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.

(Carlos Drummond de Andrade)


Muda, escuto o silêncio,

Tudo paz, mas penso em tudo...
Padece podre o calor, na falta que cresce, tudo quase, pelo meio...
Ardem os olhos...
Sem palavras me calo,o peito grita de saudade, a ausência cala rasgando a alma, arranca a pele, fura os olhos, sangra a artéria, grita!
Estúpida dor, que arrebata em chamas!
Parte-me a hora em metades, duas ou mais de verdades cruas que preferiria não existir...

Contra a vontade preciso aceitar.



Luta de quem ama de verdade.

Um tio brilhante que se antecipou na  partida...

Um comentário:

  1. Volta a postar sobre vc... Seria bom voltar a te ler e a te sentir

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